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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Borderlands The Pre-Sequel!
XBOX 360

O lado negro, mas divertido, da força


Remonta a 2009 o primeiro episódio da saga “Borderlands”, um jogo que combina a filosofia dos tradicionais FPS com alguns elementos RPG, o que levou alguns a apelidar a criação da Gearbox Software como o primeiro Role-Playing Shooter.

Hoje, passados quase seis anos e três edições, “Borderlands: The Pre-Sequel!” confirma o sucesso do universo Borderlands, possibilitando este título ao jogador assumir a pele de alguns dos mais interessantes vilões da série e (re)viver assim algumas aventuras que tiveram lugar em episódios anteriores.

Mas, desta vez, o papel principal cabe a Handsome Jack, o mau da fita em “Borderlands 2”, uma figura tão viciante quanto odiável que torna este universo particular ainda mais interessante, nomeadamente num episódio que começa em Pandora e termina na Lua, com inexplicáveis cambalhotas no argumento.

E tal como em todos os outros momentos da série, “Borderlands The Pre-Sequel!” segue uma filosofia que mescla humor (negro) com ação e momentos de alucinante velocidade, aqui sinónimo de estrambólicas missões. A juntar a isso há novos veículos, cenários, armas, personagens e outras formas de jogar.

Entre modos de jogo cooperante e mecânicas de RPG, ancorados em bizarras habilidades, “Borderlands The Pre-Sequel!” faz a ponte com “Borderlands 2”, mas ao contrário dos gigantescos passos para a Humanidade dados por outros, os criadores da 2K Australia optaram por pequenas marchas rumo ao…caótico vazio.

Construído com base no motor gráfico do episódio anterior, “Borderlands The Pre-Sequel!” tem uma jogabilidade familiar, mantendo alguns dos seus (de)feitos especiais. Alguns personagens continuam a manifestar uma animação rígida e pouco dinâmica com texturas espartanas mas, por outro lado, existem novos ambientes, personagens, inimigos para explodir, habilidades para desbloquear e um enredo louco para seguir. Para além disso, a rapaziada bem-humorada da 2K Australia, fez questão deixar a sua marca no que à verbalização diz respeito e, espante-se, na lua de Pandora fala-se com sotaque do país dos cangurus.

Outra novidade assinalável é a jogabilidade em terrenos lunares, especialmente quanto ao modo Kit Oz, uma “aplicação” que permite ao personagem respirar (melhor) assim como dar um duplo-salto. Confusos? Ainda bem. Ora vejamos, combinando com níveis de gravidade reduzida, o Kit-Oz aumenta a verticalidade e permite uma maior ousadia de combate. É assim permitido saltar para telhados, explorar novos recantos e conseguir preciosidades ocultas. Mas não há almoços grátis. Esta arte requer alguma prática, portanto não desespere às primeiras tentativas. E vai ver que o oxigénio pode ser uma excelente arma para derrotar o mais astuto (ou não) inimigo. Para os mais exigentes e requintados, há sempre a hipótese de partir as máscaras dos inimigos e deixá-los asfixiar lentamente.

O material bélico em “Borderlands: The Pre-Sequel!” segue o perfil do utilizado em “Borderlands 2”, ainda que os lasers se tenham tornado mais frequentes e assumem-se quase banais os disparos em rajada, enquanto outras armas se assemelham a fluxos contínuos de energia. No calor da batalha, também os elementos são chamados a palco e algumas armas disparam gelo que permitem despedaçar o inimigo. Especialmente divertido é congelar os “maus” no ar e deixá-los cair.

“Borderlands: The Pre-Sequel!” traz mais personagens e com novas skills e estilos de ação. Athena, por exemplo, tem um escudo que absorve os danos do inimigo; Wilhelm tem um par de drones que o protegem e ajudam no combate; Nisha, the Lawbringer, qual cowgirl, consegue aceder a um modo lock-on para maximizar danos. Mas é o “ciclope” Claptrap que atrai mais atenções, fruto de um perfil hilariante que o torna independente de qualquer recurso a oxigénio e o faz dono de armas mortíferas como lança-chamas duplos ou uma mini torre muito especial.

É este quarteto que tem a árdua tarefa de ajudar Handsome Jack a recuperar a Hyperion’s Helios Station, área invadida por homens que pretendem utilizar essa potente arma na destruição da própria lua. Ainda que o objetivo de Jack seja salvar a lua e os seus inocentes habitantes, a narrativa de “Borderlands: The Pre-Sequel!” centra-se mais sobre a sua ascensão e menos sobre uma eventual transformação de vilão a herói pois, no fundo, Jack é e sempre será um escroque divertido.

Quanto mais se joga a “Borderlands: The Pre-Sequel!” mais surge uma dúvida existencial: ou jogamos a história principal ou embarcamos por uma via alternativa (existem missões secundárias cujas recompensas são irrelevantes mas permitem explorar a envolvência do cenário) onde é permitido, por exemplo, explorar as competências de alguns rockets ou fazer épicos afundanços num cesto de basquetebol de baixa gravidade.

Não sendo um jogo extraordinário, “Borderlands: The Pre-Sequel!” é pretexto para umas divertidas horas de jogatana. No entanto, é impossível não ficar com a estranha sensação de estarmos perante um DLC de generosas dimensões em vez de um novo jogo… Ainda assim, é nosso dever dar uma oportunidade a Handsome Jack para brilhar.

in Rua de Baixo

domingo, 21 de dezembro de 2014

NBA 2K15
XBOX 360

Terá chegado o momento?


Remonta a 1999 a primeira edição da série NBA 2K e na altura a Visual Concepts concebeu aquele que viria a transformar-se na maior referência dos simuladores de basquetebol para o universo Dreamcast, um produto da japonesa Sega.

Década e meia volvida, eis que surge NBA 2K15, um jogo lançado para as consolas das duas últimas gerações assim como para as versões Windows, Android, Ipad e Iphone. E tal como na primeira edição do jogo, a primeira coisa que fazemos depois de colocar o jogo na consola é… jogar. Somos apenas nós, a equipa contrária e o campo.

Num ápice, Kevin Durant, a estrela dos Oklahoma City Thunder cede o seu lugar na imagem e ouvimos “Shut Em’ Down” de DJ Caramel Jack. No écran estão agora Dwyane Wade, dos Miami Heat e Tim Duncan, dos San Antonio Spurs a brincar com a bola. Uma espera superior à normal neste menu leva-nos a ouvir “Suck My Kiss” dos Red Hot Chili Peppers. O ambiente sonoro é muito simpático e a responsabilidade da sua escolha foi de Pharrell Williams.

De comando em riste, deixamos a apresentação do jogo envolver-nos mas quando o gongo soa não podemos voltar atrás. Tenta-se ganhar o ressalto, os dribles sucedem-se. Lançamos ao cesto, acertamos, falhamos. O jogo é mesmo isto. Mas, será que estamos a jogar NBA 2K15? Ou será NBA 2K14? As diferenças são poucas e o gameplay é basicamente o mesmo.

À medida que evoluímos no jogo notam-se ligeiras diferenças no interface do utilizador. Uma evolução na mecânica de lançamento que nos ajuda a ser mais certeiros e a movimentação parece mais fluida. Não precisamos recorrer ao tutorial para conseguir jogar, isto claro, para quem está habituado ao mundo NBA 2K.

Ainda assim, as maiores diferenças notam-se em termos gráficos, especialmente nas consolas de última geração, pois na versão Xbox 360 que realizamos este teste as coisas estão bem idênticas à versão 14, o que não é necessariamente negativo pois a dinâmica dos jogadores é muito próxima do real. Menos boa está a questão facial dos jogadores e em alguns casos o resultado é manifestamente constrangedor nomeadamente no que toca à expressão emotiva das estrelas, um problema que vem das edições anteriores. Apesar disso, o suor aparece nos semblantes de forma “natural” e as marcas faciais estão bem trabalhadas e adensam a questão dos pormenores.

Mais visíveis são os ajustes em termos da fórmula do gameplay, principalmente na questão defensiva. Existem mais opções de ressalto e podemos agora recorrer a outras formas de contrariar o lançamento adversário, estas sim, evoluções face à edição de 2014.

Estes pequenos ajustes dão uma visão do que é o jogo na globalidade, isto é, um pouco mais do mesmo, sem grandes atrativos em forma de novidade no que toca à jogabilidade. Tal não quer dizer que não existam pontos favoráveis em NBA 2K15 mas a grande questão que se coloca é se está nova versão é suficientemente pertinente para atrair quem já possui NBA 2K14.

Ainda assim, estamos perante um jogo com uma excelente narrativa e o modo de criação de um jogador continua muito acima da concorrência (se é que ela existe depois da fraca luta que a série Live NBA da EA Sports tem vinda a representar) e nesta edição 2015 está uns furos acima daquilo que se viu no ano passado. Podemos mesmo fazer um scan na nossa cara através do Kinect. O processo é simples e muito interessante, permitindo trabalhar posteriormente a estrutura facial e é divertido dar outra tez à nossa expressão bem como trabalhar o nosso semblante de muitas maneiras. Se alguma vez teve esperança de se tornar numa estrela da NBA, chegou a sua hora.

Também o modo Carreira denota alguns ajustes mas basicamente mantém a sua (boa) estrutura. Assumimos a figura de um jogador livre e o primeiro objetivo é conseguir um contrato de 10 dias. Depois de provarmos o nosso valor, o céu é o limite. O dramatismo da NBA está presente e a glória apenas só pode ser alcançada depois de muito suor e lágrimas.

Uma nota positiva também para o trabalho de vocalização de alguns jogadores no modo Carreira pois se em NBA 2K14 o ambiente é claramente artificial, a nova versão denota maior profissionalismo o que é também uma mais-valia. Algo que já não se pode dizer em relação à estrutura de modo online que provoca uma acentuada dose de frustração principalmente no que toca à falta de estabilidade e sincronia entre os comandos e a ação do próprio jogo cujo delay é extremamente contraproducente.

Em forma de resumo, NBA 2K15 assume um perfil, grosso modo, idêntico às mais recentes edições transatas: boa jogabilidade, excelência do modo Carreira e um confrangedor modo online. A apreciação global é positiva – e mais uma vez podemos contar com 25 equipas da Euroleague Basketball – mas ainda não é desta que a série dá o esperado salto para novos patamares de interesse. Não resta outra coisa senão (des)esperar por esse momento.

In Rua de Baixo